Usuários de Crack e Reinserção Social: Reflexões Sobre um Estudo de Caso

Bibiana Lima De Lacerda, Paolo Gomes Palmeiro, Adria Mikoczak Kazmirczak, Marcello Ávila Mascarenhas

Resumo


O objetivo deste estudo foi verificar a incidência de usuários após primeira internação com idade igual ou superior a 30 anos no Centro de Dependência Química do Hospital Parque Belém de Porto Alegre/RS e fazer uma reflexão sobre a sua reinserção à vida social. Adotou-se uma amostra composta de usuários de crack (n=81), fornecida através do banco de dados. Foi constatado que os usuários reinternados com 30 anos de idade ou mais são a minoria, 30,9% dos casos; e 72% deles obtiveram acesso ao tratamento hospitalar com ordem judicial. Esses usuários utilizavam o crack associado ao álcool (40%) ou concomitante com outras drogas (44%); revelou-se também que 16% deles tinham alguma doença clínica associada. Com este estudo, observam-se as dificuldades de acesso à rede de atenção especializada e de qualidade, conforme garante a legislação brasileira.

Palavras-chave


Cocaína/crack; Dependência; Políticas públicas; Saúde pública

Texto completo:

PDF

Referências


AGUILAR, L. R.; PILLON, S. C.. Percepción de

tentaciones de uso de drogas en personas que reciben tratamiento. Revista Latino-Americana de. Enfermagem. n. especial, p. 790-7, set/out. 2005.Acesso em: 26 jun. 2010.

ALMEIDA FILHO, N. O conceito de saúde e a vigilância sanitária: Notas para a compreensão de um conjunto Organizado de práticas de saúde. Documento comissionado pela ANVISApara discussão no I Seminário Temático Permanente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Brasília, DF, 18 de out. 2000. Disponívelem:

/www.anvisa.gov.br/institucional/snvs/coprh/ relatorios/gestao_2000_2002/ plano_trabalho_anexosi.htm/conceito.pdf

ANDRETTA, L.& OLIVEIRA, M.S. Aentrevista motivacionalem adolescentes usuários de droga que cometeramato infracional. Psicologia: Reflexão e Crítica, 24(2), 218-226. 2011.

BACELLAR, R. P.; MASSA, A. A. G. Programa

de Alternativas Penais em Prevenção do Uso de Drogas – PAPPUD. Paraná. Disponível em: . Acesso em: 18 jun. 2010.

BARKIN, S. L.; SMITH K,. S.; DURANT, R. H.

Social skills and attitudes associated with substance use behavior among young adolescents. Journal of Adolescent Health. v. 30, p.448-454, 2002.

BELISÁRIO, S. A. Associativismo em Saúde Coletiva: um estudo da Associação Brasileira de

Pós-graduação em Saúde Coletiva – ABRASCO. Campinas, [s.n.], 2002.

BRASIL. Lei no 8.080 de 19 de setembro de 1990. Dispões sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes, e dá outras providências. Diário Oficialda União, Brasília, DF, 20 set. 1990. p.18055.

BRASIL. Lei nº. 11.343 de 23 de agosto de 2006. Institui o Sistema Nacionalde Políticas Públicas sobre Drogas – SISNAD; prescreve medidas para prevenção do uso indevido, atenção e reinserção social de usuários e dependentes de drogas; estabelece normas para repressão à produção não autorizada e ao tráfico ilícito de drogas; define crimes e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 24 ago. 2006.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. DAPE. Coordenação Geral de Saúde Mental. Reforma Psiquiátrica e Política de Saúde Mental no Brasil. Documento apresentado à Conferência Regional de Reforma dos Serviços de Saúde Mental: 15 anos depois de Caracas. OPAS. Brasília, nov. 2005.

CEBRID. II Levantamento domiciliar sobre o uso de drogas psicotrópicas no Brasil: estudo envolvendo as 108 maiores cidades do país - 2005. São Paulo: CEBRID. p.33, 2006.

CONFERÊNCIA INTERNACIONAL SOBRE CUIDADOS PRIMÁRIOS DE SAÚDE.

Declaração de Alma-Ata. Cazaquistão, 6-12 set. 1978. Disponívelem: Acesso em: 19 ago. 2010.

CORDEIRO, D. C.; FIGLIE, N. B.;

LARANJEIRA, R. R. Boas práticas no tratamento do uso de dependência de substâncias. São Paulo: Rocca, 2007.

CUNHA, P. J.; NICASTRI, S.; GOMES, L. P.; MOINO, R. M.; PELUSO, M. A. Alterações

neuropsicológicas emdependentes de cocaína/crack internados: dados preliminares. Revista Brasileira de Psiquiatria. n. 26, p. 103-6, 2004.

DALGALARRONDO, P.. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais. 2 ed. Porto Alegre: Artmed, 2008.

ELSEN I. Cuidado familial: uma proposta inicial de sistematização conceitual. In: ELSEN I, MARCON,

S. S, SILVA, M.R.S. (Org.) O viver em família e sua interface com a saúde e a doença. 2. ed. Maringá: Eduem, p.398, 2004.

FERREIRAFILHO, O. F.; TURCHI, M. D.; LARANJEIRA, R. R.; CASTELO, A. Perfil

sociodemográfico e de padrões de uso entre dependentes de cocaína hospitalizados. Revista de Saúde Pública. n. 37, p. 751-9, 2003.

FERRI, C. P.; LARANJEIRA, R. R.; SILVEIRA,

D. X.; DUNN, J.; FORMIGONI, M.L. O. S. Aumento da procura de tratamento por usuários de crack em dois ambulatórios na cidade de São Paulo, nos anos de 1990 a 1993. Revista da Associação Médica Brasileira. n. 43, p. 25-8, 1997.

FIGUEIREDO, N. M. A. Ensinando a cuidar em Saúde Pública. 2 ed. São Caetano do Sul,: Yendis Editora, 2008.

GUIMARÃES, C. F.; SANTOS, D. V. V.;

FREITAS, R. C.; ARAÚJO, R. B. Perfil do usuário de crack e fatores relacionados à criminalidade em unidade de internação para desintoxicação no Hospital Psiquiátrico São Pedro de Porto Alegre (RS). Revista de Psiquiatria do Rio Grande do Sul. n. 30; p. 101-8, 2008.

GUIMARÃES, A. N.; PAES, M. R. Causas de

recaída e de busca por tratamento referidas por dependentes químicos emuma unidade de reabilitação. Colombia Médica, v. 42, n. 2 Supl 1,

IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Coordenação de População e Indicadores Sociais. Estimativas das Populações Residentes em 1º de julho de 2009, segundo os municípios.

Disponívelem:

Acesso em: 11 ago. 2010.

KESSLER, F.; PECHANSKY, F.. Uma visão

psiquiátrica sobre o fenômeno do crack na atualidade. Revista de Psiquiatria do Rio Grande do Sul. n.30, p. 96-98, 2008.

LARANJEIRA, R. R.. OLIVEIRA, R. A.; NOBRE, M. R. C.; BERNARDO, W. M.

Usuários de substâncias psicoativas: abordagem, diagnóstico e tratamento. 2. ed. São Paulo: Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo/Associação Médica Brasileira, 2003.

NETO, L.M.R., ELKIS H. Psiquiatria básica. 2. ed. Porto Alegre: Artmed; 2007.

MEDINA, N.A.; FERRIANI, M.G.C. Protective

factors for preventing the use of drugs in the families of a Colombia locality. Rev. Latino-Am.

Enfermagem, v.18, p. 504-12, 2010.

MIRANZI, M. A. S.; ASSIS, D. C.; RESENDE, D.

V.; IWAMOTO, H. H.. Compreendendo a história da saúde pública de 1870-1990. Saúde Coletiva. n. 41, p. 157-162, 2010.

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Coordenação de

Saúde Mental. Coordenação de Gestão da Atenção Básica. Saúde mental e atenção básica: o vínculo e o diálogo necessários. n. 1, p.2-3, 2003.

OLIVEIRA1, L. G.; NAPPO, S. A.. Caracterização da cultura de crack na cidade de São Paulo: padrão de uso controlado. Saúde Pública. n. 42, p. 664- 671, 2008.

OLIVEIRA2, L. G.; NAPPO, S. A.. Crack na

cidade de São Paulo: acessibilidade, estratégias de mercado e formas de uso. Psiquiatria Clínica. n. 35, p. 212-8, 2008.

OPAS, Organização Pan-Americana de Saúde. Guia para atenção e manejo integral de usuários de drogas vivendo com HIV/ AIDS na América Latina e Caribe. Washington, D.C,: OPAS, 2006.

OEDT, Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência. Evolução recente das políticas e da legislação no domínio da droga. Relatório Anual, Lisboa, 2005. Disponível: . Acesso em: 07 mar. 2010.

OMS, ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE.

Classificação Internacional de Doenças. 9 ed. São Paulo: OMS/OPS, 2010.

PAIM, J. S.; ALMEIDAFILHO, N. Saúde coletiva: uma "nova saúde pública" ou campo aberto a novos paradigmas. Saúde Pública. n. 32, p.299-316, 1998.

RAMOS, S. P.. O crack, o pai e os psiquiatras e psicanalistas. Psiquiatria do Rio Grande do Sul. n. 30, p. 99-100, 2008.

SANCHEZ, Z. M.; NAPPO, S. A.. Sequência de

drogas consumidas por usuários de crack e fatores interferentes. Saúde Pública. n. 36, p.420-30, 2002.

SCHEFFER, M.; PASA, G. G.; ALMEIDA, R. M.

M. Atenção, ansiedade e raiva em dependentes químicos. Psicologia da PUCRS, v.40, n.2, p.235- 244, 2009.

SCHENKER, M; MINAYO M.C.S. Fatores de

risco e de proteção para o uso de drogas na adolescência. Ciências de Saúde Coletiva. v.10, n.3, p.707-17, 2005.

SELEGHIM, M. R. et al. Vínculo familiar de usuários de crack atendidos em uma unidade de emergência psiquiátrica. Rev. Latino-Am.

Enfermagem, Ribeirão Preto, v. 19, n. 5, out. 2011.

SILVA L.H.P., BORBAL.O., PAES M.R.,

Guimarães AN, Mantovani MF, Maftum MA. Perfil dos dependentes químicos atendidos em uma unidade de reabilitação de umhospitalpsiquiátrico. Rev. Esc Anna Nery - Rev Enferm.; v.14, p.585- 90, 2010.

SOUSA, Patrícia Fonseca et al . Dependentes químicos emtratamento: um estudo sobre a motivação para mudança. Temas psicol., Ribeirão Preto , v. 21, n. 1, jun. 2013 .




DOI: https://doi.org/10.25061/2527-2675/ReBraM/2014.v17i2.33

Apontamentos

  • Não há apontamentos.




Revista Brasileira Multidisciplinar-ReBraM (e-ISSN: 2527-2675)

Rua Carlos Gomes, 1338, Centro / Araraquara-SP / Brasil / CEP 14801-340