Mulheres na atividade pesqueira: um estudo na comunidade de Nzeto-Angola

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Henrique Júnior Bernadeth Gonçalves
Maria Lúcia Ribeiro
Vera Lúcia Silveira Botta Botta Ferrante
Oriowaldo Queda
Flávia Cristina Sossae

Resumo

A pesca é considerada uma prática fundamentalmente masculina.Nas comunidades pesqueiras, há uma divisão social do trabalho por gênero e muitas mulheres sobrevivem de outras modalidades de pesca, como a marisqueira.Este estudo diz respeito, especificamente, à comunidade piscatória do Nzeto (província do Zaire, Angola), onde a pesca artesanal é tradicionalmente uma atividade de subsistência e tem como objetivo discutir o enquadramento sociopolítico de gênero na atividade pesqueira, procurando a relação entre as pescadoras e o meio ambiente.. A fim de compreender efetivamente a comunidade pesqueira e a cooperativa observada, bem como suas trabalhadoras, 18 pescadoras responderam  à pesquisa, sendo 12 da cooperativa e 6 não, para estabelecer um estudo comparativo entre pescadoras integradas em uma organização que defende os seus diversos interesses   e aquelas que exercem sua profissão, sem qualquer apoio de reconhecimento institucional em nível organizado. Verificamos que a integração das mulheres na pesca artesanal só é alcançada por iniciativa e esforço próprios. Assumem a responsabilidade de transportar, estocar e secar o pescado, além da comercialização. Além disso, exigem também a construção de uma instalação onde possam se abrigar da exposição direta ao sol e à chuva. Elas trabalham em condições sanitárias precárias e mesmo o manejo do pescado carece de melhores condições de higiene. Não há escolha a não ser aumentar a renda familiar, mesmo em condições de trabalho árduas e penosas.Da perspectiva cultural, o fato das mulheres tomarem as rédeas do processo de pesca, expressa rupturas com os estigmas que buscam exclui-las do circuito produtivo.

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Como Citar
Gonçalves , H. J. B. ., Ribeiro, M. L. ., Ferrante, V. L. S. B., Queda, O. ., & Sossae, F. C. (2020). Mulheres na atividade pesqueira: um estudo na comunidade de Nzeto-Angola. Revista Brasileira Multidisciplinar, 23(3). https://doi.org/10.25061/2527-2675/ReBraM/2020.v23i3.1126
Seção
Artigos Originais
Biografia do Autor

Henrique Júnior Bernadeth Gonçalves , Universidade de Araraquara – UNIARA

Mestre em Desenvolvimento Territorial e Meio Ambiente

Maria Lúcia Ribeiro, Universidade de Araraquara – UNIARA

Docente do Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Territorial e Meio Ambiente-  UNIARA

Oriowaldo Queda, Universidade de Araraquara – UNIARA

Docente do Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Territorial e Meio Ambiente-  UNIARA

Flávia Cristina Sossae, Universidade de Araraquara-UNIARA

Docente do Curso de Ciências Biológicas, da Pós-Graduação (Mestrado e Doutorado Stricto Sensu) em Desenvolvimento Territorial e Meio Ambiente, Universidade de Araraquara-UNIARA

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