Estudo de revisão sobre a interferência de hipoglicemiantes orais no exame químico de urina

Carolina Machado Ramos, Silvani Vargas Vieira, Rita Gonçalves Mascarenhas, Marcello Mascarenhas

Resumo


A diabetes mellitus (DM) é uma doença que vem aumentando exponencialmente nos últimos anos de vida dos indivíduos, e uma opção de tratamento farmacológico é feito através dos hipoglicemiantes orais (HO). Em virtude de serem substâncias amplamente utilizadas e terem como principal via de excreção a urinária, este tratamento pode provocar variações nos resultados dos parâmetros urinários. Portanto, este estudo tem a finalidade de avaliar a interferência causada pelo uso de hipoglicemiantes no exame de urina. Para esta investigação, foi feita uma pesquisa bibliográfica em diferentes bases de dados, selecionando os artigos pertinentes ao tema: diabetes, interferências laboratoriais e tratamento farmacológico. Os HO podem ser classificados em três grupos de acordo com o mecanismo de ação: estimuladores de insulinas pelo pâncreas, como sulfoniluréias e metiglinidas; as sensibilizadoras de insulina, são as biguanidas, as tiazolidinedionas e as redutoras da absorção de carboidratos, que são as inibidoras da alfa-glicosidase. O exame de urina é uma ferramenta complementar no controle da DM devido a sua fácil coleta e baixo custo. As classes de hipoglicemiantes orais identificados como potencialmente interferentes no exame de urina foram as biguanidas (metformina) e as sulfoniluréias (tobultamida, tolazamida, glicazida, clorpropramida). Resultam em interferência nos parâmetros densidade, proteínas, glicose, cetonas e bilirrubinas, levando a um diagnóstico inadequado e um tratamento insatisfatório gerando prejuízos ao bem estar do paciente.


Palavras-chave


Hipoglicemiantes orais, Urinálise, Interferências

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DOI: https://doi.org/10.25061/2527-2675/ReBraM/2015.v18i2.325

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