O excitante retorno à dimensão biológica na educação ambiental: pisar de leve no tapete de cores variadas
Contenido principal del artículo
Resumen
Uma leitura atenta ao Plano de Manejo de um município no litoral do Rio de Janeiro foi encontrada a seguinte metáfora: as algas que ocorrem no Monumento Natural dos Costões Rochosos formam um “tapete de cores variadas”. Para um grupo de cientistas vinculados a um Laboratório de Botânica esta definição pode soar infantil e ingênua. Os inúmeros laboratórios de pesquisas cientificas descrevem de maneira precisa, e quase cirúrgica, todas as espécies que ocorrem neste ecossistema. Afinal de contas, os mundos da política, da economia, da indústria farmacêutica e da saúde visitam constantemente este “tapete”. De lá podem sair as curas para várias doenças ou produzir evidências científicas capazes de montar uma peça no quebra cabeça das mudanças climáticas globais. Esquecer a dimensão biológica da educação ambiental não seria perder a riqueza e as cores da pluralidade? De que material o “tapete colorido” é formado? Poderia este “tapete” estar em ação? Consideramos que a ação começa quando nos incomodamos com a constatação de que o mesmo, apesar de colorido, foi apresentado a partir de uma dimensão homogênea. Decidimos, então, pisar com calma neste “tapete” para revelar os vínculos entre elementos heterogêneos, humanos e não-humanos, que fazem-fazer deste pequeno e excitante mundo com suas cores variadas. Neste trabalho, utilizamos a teoria Ator-Rede como referencial teórico-metodológico e o estolão da Caulerpa racemosa como ponto de partida e fonte inspiração. Em termos metodológicos, realizamos os seguintes procedimentos: i) Descrevemos um tapete composto por mais de 100 espécies de algas se associadas; ii)Identificamos vínculos com ações de Educação Ambiental a partir da análise de documentos e de entrevistas com servidores da Secretaria de Meio Ambiente e iii) visitamos, de maneira imaginária, diferentes laboratórios de pesquisa. Concluímos que, apesar de inusitado, o exercício de descrição das algas como híbridas de natureza e cultura nos proporciona uma alternativa àqueles que buscam transgredir a ideia de que existem fronteiras entre as ciências da natureza e a sociedade.
Descargas
Detalles del artículo

Esta obra está bajo una licencia internacional Creative Commons Atribución 4.0.
- O(s) autor(es) autoriza(m) a publicação do artigo na revista;
• O(s) autor(es) garante(m) que a contribuição é original e inédita e que não está em processo de avaliação em outra(s) revista(s);
• A revista não se responsabiliza pelas opiniões, ideias e conceitos emitidos nos textos, por serem de inteira responsabilidade de seu(s) autor(es);
• É reservado aos editores o direito de proceder ajustes textuais e de adequação do artigo às normas da publicação.
Os conteúdos da Revista Brasileira Multidisciplinar – ReBraM estão licenciados sob uma Licença Creative Commons 4.0 by.
Qualquer usuário tem direito de:
- Compartilhar — copiar, baixar, imprimir ou redistribuir o material em qualquer suporte ou formato.
- Adaptar — remixar, transformar, e criar a partir do material para qualquer fim, mesmo que comercial.
De acordo com os seguintes termos:
- Atribuição — Você deve dar o crédito apropriado, prover um link para a licença e indicar se mudanças foram feitas. Você deve fazê-lo em qualquer circunstância razoável, mas de maneira alguma que sugira ao licenciante a apoiar você ou o seu uso.
- Sem restrições adicionais — Você não pode aplicar termos jurídicos ou medidas de caráter tecnológico que restrinjam legalmente outros de fazerem algo que a licença permita.
Autores concedem à ReBraM os direitos autorais, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons 4.0 by. , que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.
Citas
BARELLI, P. Vie et mort de l’algue tueuse: la saga de Caulerpa taxifolia. Le Monde, Paris, 03 set. 2011. Disponível em:
https://www.lemonde.fr/planete/article/2011/09/03/vie-et-mort-de-l-algue-tueuse-la-sag a-de-caulerpa-taxifolia_1567353_3244.html . Acesso em 24 set. 2023.
BRASIL. Lei 6.938, de 31 de agosto de 1981. Política Nacional do Meio Ambiente. Diário Oficial da União: seção, Brasília, DF, ano , n. ,p. , 31 ago. 1981. PL
BRASIL. Lei nº 9985/00, 18 de julho de 2000. Regulamenta o art. 225, § 1o, incisos I, II, III e VII da Constituição Federal, institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza e dá outras providências. Diário Oficial da União: seção, Brasília, DF, ano , n. ,p. , 18 jul. 2000. PL .
COSTA, R. N.; BRANQUINHO, F. T. B.; PEREIRA, C. S. Audiovisual production in teacher-researcher education: Shared views on the Restinga National Park of Jurubatiba. Desenvolvimento e Meio Ambiente, Curitiba, v. 45, p. 258–273, abr. 2018. Disponível em: https://doi.org/10.5380/dma.v45i0.53591 . Acesso em: 24 set. 2023.
COSTA, R. N.; BRANQUINHO, F. T. B.; SÁNCHEZ, C.; LEAL, G. F. “Capital of petroleum”: Transverse views of public school teachers and their perspectives for environmental education. Desenvolvimento e Meio Ambiente, Curitiba, v. 52, p.
–301, dez. 2019. Disponível em: http://dx.doi.org/10.5380/dma.v52i0.62714 . Acesso em: 24 set. 2023.
DEGASPERI, T. C.; BONOTTO, D. M. B. Educação ambiental e as dimensões cognitiva e afetiva do trabalho com valores: produzindo sentidos. Ciência & Educação,
Bauru, v. 23, n. 3, p. 625–642, 2017. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1516-731320170030006 . Acesso em: 24 set. 2023.
FARIAS, S. C. G. A gestão ambiental em sistemas e redes: uma perspectiva para a Educação Ambiental nos municípios brasileiros. Revista Brasileira de Educação Ambiental (RevBEA), Rio Grande, v. 8, n. 2, p. 77–92, dez. 2013. Disponível em: https://doi.org/10.34024/revbea.2013.v8.1744 . Acesso em: 4 set. 2023.
FERNANDEZ, V. Para onde vamos com o sequestro de carbono? A rede sociotécnica do carbono assimilado por manguezais. 2014. Tese (Doutorado em Meio Ambiente) – Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2014.
FERNANDEZ, V; MACEDO, J; BRANQUINHO, F. (Org.) Pedra, planta, bicho e gente... coisas: encontros da teoria ator-rede com as ciências ambientais. Botafogo, SP: Mauad, 2018. 184 p.
FIORAVANTI, C. H.; VELHO, L. Fungos, fazendeiros e cientistas em luta contra a vassoura-de-bruxa. Sociologias, ano 13, n. 27, p. 256–283, mai/ago. 2011. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S1517-45222011000200010 . Acesso em: 24 set. 2023.
GHILARDI-LOPES, N.P.; HADEL, V.F.; BERCHEZ, F. Guia para Educação Ambiental em Costões Rochosos. São Paulo: Artmed, 2012.
GODOY, A. M. G.; DE SOUZA, G. M. Descentralização, orçamento e conselhos municipais. Estudos do CEPE, Santa Cruz do Sul, n. 33, p. 157–179, jan/jun. 2011. Disponível em: https://doi.org/10.17058/cepe.v0i33.1738 . Acesso em: 24 set. 2023.
JOUSSON, O.; PAWLOWSKI, J.; ZANINETTI, L.; MEINESZ, A.; BOUDOURESQUE, C.F. Molecular evidence for the aquarium origin of the green alga Caulerpa taxifolia introduced to the Mediterranean Sea. Marine Ecology Progress Series, [s. l.], v. 172, p. 275–280, out. 1998. Disponível em: https://www.jstor.org/stable/44634866 . Acesso em: 24 set. 2023.
KLEIN, J.; VERLAQUE, M. The Caulerpa racemosa invasion: A critical review. Marine Pollution Bulletin, [s. l.], v. 56, n. 2, p. 205–225, dez. 2008. Disponível em :
https://doi.org/10.1016/j.marpolbul.2007.09.043 . Acesso em: 24 set. 2023.
KRENAK, Ailton. Ideias para adiar o fim do mundo. Companhia das Letras, 2019
LATOUR, B. Jamais fomos modernos: ensaio de antropologia simétrica. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1994. 192 p.
LATOUR, B. A esperança de Pandora: ensaios sobre a realidade dos estudos científicos. Bauru, SP: EDUSC, 2001. 385 p.
LATOUR, B. Políticas da natureza: como fazer ciência na democracia. Bauru, SP: EDUSC, 2004. 411 p.
LATOUR, B. Reagregando o social: uma introdução à teoria do ator-rede. Bauru, SP: EDUSC; Salvador: EDUFBA, 2012. 400 p.
LATOUR, B.; WOOLGAR, S. A vida de laboratório: a produção dos fatos científicos. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 1997. 310 p.
LAW, J. Actor Network Theory and Material Semiotics, version of 25th April 2007. [s.l.], Disponível em: http://www.heterogeneities.net/publications/Law2007ANTandMaterialSemiotics.pdf . Acesso em: 24 set. 2023.
LAW, J. Notes on the Theory of the Actor Network: Ordering, Strategy and Heterogeneity. Systems practice. [s. l.], v. 5, n. 4, p. 379-393, 1992. Disponível em:
https://doi.org/10.1007/BF01059830 . Acesso em: 24 set. 2023.
LIMA, G. DA S.P. Monumento Natural dos Costões Rochosos, macroalgas e sociedade: Associações entre atores humanos e não-humanos. 2017. Dissertação (Mestrado em Ciências Ambientais e Conservação) - Universidade Federal do Rio de Janeiro, Macaé, 2017.
MACEDO, J. S.; BRANQUINHO, F. T. B.; BERGALLO, H. D. G. A rede sociotécnica na relação entre ribeirinhos e onças (Panthera onca e Puma concolor) nas Reservas de
Desenvolvimento Sustentável Amanã e Mamirauá no Amazonas. Desenvolvimento e Meio Ambiente. Curitiba, v. 35, dez. 2015. Disponível em: http://dx.doi.org/10.5380/dma.v35i0.40537
MACGILL, R. Fast moving neutrons, graphite moderators and radioactive clouds: An ant account of the Chernobyl accident’s risky network. 2017. Tese (Doutorado em Geografia humana) - Universidade de Glasgow, Glasgow. 2017. Disponível em: http://theses.gla.ac.uk/8260/ . Acesso em: 24 set. 2023.
MEINESZ, A. et al. The introduced green alga Caulerpa taxifolia continues to spread in the Mediterranean. Biological Invasions, 3, 201–210, 2001.
MELO, M.F.A. de Q. Seguindo as pipas com a metodologia da TAR. Revista do Departamento de Psicologia, 19(1), 169-185, 2007.
OLIVEIRA, A. C. Democratização do processo decisório em municípios beneficiários dos royalties petrolíferos: a experiência de Rio das Ostras. Campos dos Goytacazes, Dissertação (Mestrado em Engenharia Ambiental) - IFF. 2008. Disponível em: shorturl.at/pxy47. Acesso em 2017.
OLIVEIRA, E. C. Introdução à Biologia Vegetal. São Paulo: Edusp, v. 07. 2. ed., 2003. PEDRINI, A. de G.. Macroalgas: uma Introdução à Taxonomia. Rio de Janeiro: Technical Books, 1. ed., 2010.
PEREIRA, R.F.; BRILHA, J.; MARTINEZ, J.E. Proposta de enquadramento da geoconservação na legislação ambiental brasileira. Memórias e Notícias, 3 491-494, 2008.
PINHEIRO, P.S.. Saberes, plantas e caldas: a rede sociotécnica de produção agrícola de base ecológica no sul do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, Dissertação (Mestrado em Desenvolvimento Rural) - UFRGS, 2010.
PIZZATO, M. C.. Ciência, Tecnologia, Sociedade e Ambiente. In: Cibele Schwanke. (Org.). Ambiente: Conhecimentos e Práticas. Porto Alegre: Bookman, 1ed., p. 1-14, 2013.
RIO DAS OSTRAS. Decreto nº. 054/2002, de 26 de julho de 2002. Cria o Monumento Natural dos Costões Rochosos. Rio das Ostras: DOU de 26/7/2002.
RIO DAS OSTRAS. Plano de Manejo do Monumento Natural dos Costões Rochosos.
RIO DAS OSTRAS. Lei Municipal complementar nº. 005/2008, de 26 de setembro de 2008. Institui o Código de Meio Ambiente do Município de Rio das Ostras, estabelece normas gerais para a administração da qualidade ambiental em seu território. Rio das Ostras: DOU de 26/9/2008.
RIO DAS OSTRAS. Referencial Curricular de Rio das Ostras (RECRO). 2015. Disponível em: http://bit.ly/2mqwpCL. Acesso em 2016.
SÁ, I. M. de. "Fito-hormônios”: ciência e natureza no tratamento do climatério. Physis Revista de Saúde Coletiva, 22(4), 1503-1522, 2012.
SANTANA, C.A.R. de. O lugar como aquarela de natureza e cultura: a topoafetividade dos pescadores da Boca da Barra, em Rio das Ostras, RJ. Macaé, Dissertação (Mestrado em Ciências Ambientais e Conservação) - UFRJ, 2014.
SCHMITT, C. J. Redes, atores e desenvolvimento rural: perspectivas na construção de uma abordagem relacional. Sociologias, 13(27), 82–112, 2011.
SILVEIRA, D. S. da. Redes sociotécnicas, práticas de conhecimento e ontologias na Amazônia: tradução de saberes no campo da biodiversidade. Brasília, Tese (Doutorado em Antropologia) - UnB, 2011.
SOUZA, I. M. de A. A noção de ontologias múltiplas e suas consequências políticas. Ilha Revista de Antropologia, 17(2), 2015.
SOUZA, M.A. Geoturismo e Ecoturismo no Monumento Natural dos Costões Rochosos, Rio das Ostras (RJ): patrimônio natural, geológico e cultural a ser preservado e interpretado. In: Anais do VIII Congresso Nacional de Ecoturismo e do IV Encontro Interdisciplinar de Ecoturismo em Unidades de Conservação. Revista Brasileira de Ecoturismo, 4(4), 2011.